domingo 21 de septiembre de 2008

CÓRDOBA... NATUREZA PURA!!!


MINA CLAVERO, PROVÍNCIA DE CÓRDOBA E SUA BELEZA IRRESISTÍVEL
Por: Nora Bouciguez
Até o último momento havia dúvida de conseguiríamos ou não viajar, pois as estradas de Córdoba estavam bloqueadas devido à greve dos trabalhadores do campo. O país estava agitado e já podíamos perceber as conseqüências destas manifestações nos comércios com a falta de produtos para consumo diário. No dia anterior ao da viagem, um acordo selou uma trégua provisória de um mês e as rodovias foram liberadas. Iupii!! Agora podíamos viajar sem problemas, inconvenientes nem adiamentos.
Encontrei-me com Marita e Nélida no terminal rodoviário, elas seriam minhas companheiras de viagem, e compartilharíamos a possibilidade de empreender um novo projeto de trabalho. Estávamos ansiosas para ver como seriam os próximos dias e o resultado de nosso planejamento. O ônibus partiu às 21h do dia 03/04/08, uma quinta-feira. Teríamos que percorrer aproximadamente 875 km até alcançar o nosso destino.
Antes de dormir, nos reunimos para conversar, compartilhar nosso mate argentino e fazer algumas fotos. Um dos motoristas aproximou-se para puxar papo, e entrou na conversa. A noite passou rapidamente entre conversas risos, mates e cochiladas. O amanhecer nos encontrou na província de Córdoba e a paisagem nos deslumbrou quando vimos o sol, que aparecia entre as montanhas e a vegetação.
Adentramos ao Vale de Traslasierra, onde ao pé da cadeia montanhosa das Serras Grandes se encontra a sedutora cidade de Mina Clavero; uma vila serrana que é líder no setor turístico da Zona oeste de Córdoba. Desde o princípio do século passado, Mina Clavero é o local escolhido por aqueles que desejam desfrutar da beleza natural, da tranqüilidade e do bom clima que ela oferece. Uma paisagem enriquecida com a presença de rios, riachos e da grande represa “La Viña”, tudo com a moldura da monumental Serra Grande.
Chegamos ao terminal de ônibus para depois nos dirigirmos ao lugar onde nos hospedaríamos. Não nos cansávamos de admirar a beleza das montanhas que rodeavam a cidade. Era cerca de 11h, o sol estava forte, e a temperatura era de 30 ºC, mas devido ao clima seco, se suportava tranqüilamente.
Nos dirigimos à cidade de San Lorenzo, Villa Marta, A entrada do sítio onde nos hospedaríamos, estava a uns 200m da rodovia e era cercada por pinheiros altíssimos, dando-nos a impressão de que passávamos por um lindo túnel. Os cachorros da casa, os gansos e as Galinhas sairam ao nosso encontro e, claro, os donos da casa também.
Nos levaram para conhecer sítio, que exibia à nossa frente a paisagem perfeita das Serras. Atrás casa, a uns 300m, corria um rio cristalino. Que Maravilha! Isto sim era inesperado. Enquanto o almoço não ficava pronto, nos sentamos no quintal da casa para conversar com Sergio, a pessoa que nos havia levado até lá. Aproveitei para preparar um mate e compartilhar um momento de boa conversa e muitas risadas, comentando sobre a beleza daquela área e das melhores opções para se trabalhar com o turismo ali.
Hora do almoço, um delicioso bife com verduras e uma sopa nos esperava fumegando sobre a mesa. Luis e Suzana nos saudaram com toda a amabilidade e cortesia. Conversamos bastante com eles também.
Barriga cheia, a tradicional preguiça e o desejo de dormir uma siesta, se abateu sobre nós, mas não nos rendemos e partimos para aproveitar toda aquela beleza que estava à nossa disposição. Fomos ao rio Panaholma, ralaxamos, tomamos sol fizemos algumas fotos, e contemplamos extasiadas, a paisagem que nos rodeava. A tarde avançava e decidimos tomar um banho e descansar um pouco. No caminho de volta, descobri que na rodovia havia sinal de celular e aproveitei para avisar em minha casa que eu estava bem, muito bem.
Caminhamos por aquele povoado tranqüilo até chegarmos ao fim do asfalto e voltamos, quando o sol já estava se pondo. Decidimos entrar num bar para comprar algo para a janta. A temperatura havia caído rapidamente e sentíamos frio. O Cansaço ficava cada vez mais forte e por volta das 22h eu já estava debaixo da coberta e pronta para dormir.
Sabado 5/4/08

Pela manhã, o grasnido dos gansos me despertou. As 7h30m nos viriam buscar e era melhor “pegar no tranco” e começar o novo dia. O sol brilhava forte e o ar ainda estava fresco. Tomamos o nosso café da manhã com pães doces caseiros, café com leite e nos preparamos para a jornada que sabíamos que seria intensa. Sergio veio nos buscar com o seu carro e saímos até o noroeste em busca do nosso objetivo.
Este circuito combina atrativos naturais únicos, com a história do desenvolvimento da região. Pocho é um sistema de serras localizado ao oeste (ruta provincial 15) que inclui o Pampa de Pocho, onde se encontra a lagoa com o mesmo nome, que se destaca pelas propriedades curativas de suas águas. Ao nordeste há uma série de vulcões inativos com altitudes que variam até 1740m de altura, e uma reserva natural de palmeiras Caranday. Dali alcançamos o povoado de Las Palmas.
A melhor parte, foi o caminho até os túneis e à costa de Chancan, nesta parte podíamos observar a magnífica obra de engenharia rodoviária, construída no fim dos anos 30 naquela região de paisagem imponente. Ao longo do trajeto, passaríamos através de cinco túneis apreciando o leito do Rio Janos. Este setor é parte do Parque Natural e Reserva Florestal Chacan, onde se conservam o quebracho blanco e outras espécies.
Descemos do carro depois de atravessar parte dos túneis, para contemplar o vôo imponente dos majestosos condores! O “som” do silêncio e tanta beleza comoviam todo o meu ser. Ficamos extasiados por um longo tempo. Eu não queria voltar! Fiz muitas fotos com a intenção de congelar estas imagens para sempre.
Depois de tanta emoção, meu estômago já emitia sinais desesperados de fome. Como eu não era a única a ter estas sensações, no caminho de volta passamos por um restaurante, que nos atendeu muito bem. Degustamos um prato típico da região, carne de bode com batatas fritas e pimentões verdes e vermelhos, delicioso, acompanhado de um bom vinho tinto.(1) Para terminar, um sorvete como sobremesa.
Depois de compartilhar um momento muito agradável com os donos do lugar, saímos para continuar o nosso caminho. É claro que não deixamos de levar as especialidades da casa tais como: pão caseiro, pudin, e alfajores. A tarde caía e nos detivemos num mirante que nos deixava ver aos nossos pés o vale rodeado por montanhas. Quem poderia negar a mão do Criador?
Estava escuro quando voltamos para casa. Simon, um cão pastor alemão, foi o primeiro a nos receber carinhosamente. Ele já nos reconhecia como parte integrante do seu território. É claro que os gansos também festejaram a nossa chegada. Nos sentamos nos quintal e ficamos apreciando a infinidade de estrelas que cobriam o céu escuro. A noite estava agradável e eu não queria mais nada, a não ser me deixar envolver por aquele firmamento e pelos ruídos noturnos.
Fomos convidadas para participar de uma festa folclórica perto de nossa casa. Tomamos um banho, nos agasalhamos e saímos. Era um galpão grande com mesas compridas distribuídas por sua extensão, que já estava todas ocupadas. Fomos, então para os últimos lugares lá no fundo. Não podíamos negar que éramos portenhas e eles não faziam questão de esconder que nos haviam notado, olhando-nos de forma curiosa e observadora.
Depois entender como funcionava o sistema de pedidos, cada uma pediu o que queria comer. Eu pedi empanadas de carne com uva passas. Estavam deliciosas! O show demorou a começar, pois os artistas estavam preparando os instrumentos, ajustando o som, etc. Por fim, os cantores começaram a sua performance com diversos ritmos: zambas e chacaretas. O cansaço já me dominava. Depois de algum tempo, comecei a pensar que seria melhor ir para casa descansar. Saímos de lá, caminhando debaixo de um céu incrivelmente estrelado.
Nota:

(1) Tradução livre da seguinte frase: “chivito con papas fritas y morrones verdes y rojos hmmmm delicioso, y por eso me resulto poco!!! Acompañado por un buen tinto…”